Ore pela Síria

Sexta-feira 13 no meu país República das Bananas. Aproveito o post na situação confortável que me constrange para deixar um "pray for Syria".

Impactado sobre os sete anos de guerra civil na Síria. Somos todos bananas. E não nos constrangemos. Vivemos todos no mesmo planeta, estamos todos conectados. Mesmo com acesso fácil à informação, em tempo real, escolhemos ignorar esse holocausto.

Enquanto soubermos que em algum lugar do mundo crianças, mulheres e homens estão sendo mutilados, que famílias estão vendo suas casas sendo bombardeadas, que pessoas estão tendo que deixar seu país sem nada, enfrentando jornadas que apresentam perigos inimagináveis, que algumas estão vivendo há sete anos em tendas, containers ou ônibus, morrendo de fome e frio, TEREMOS QUE AGIR! Isso é problema nosso; é problema de todo cidadão do mundo. "Somos responsáveis por aquilo que fazemos, o que não fazemos e o que impedimos de ser feito." (Albert Camus)

Não dá mais pra ver a imagem de um pai desesperado carregando seu filho nos braços, buscando ajuda e abrigo e não fazer nada. A postura da humanidade diante dessa guerra é vergonhosa. Não estamos fazendo o que podemos para ajudar as pessoas que estão lá, e nem as que, por um milagre, conseguem chegar até nós. E também não estamos pressionando nossos líderes e os líderes do mundo todo para que façam algo. Sabemos que muitas vezes sentimos uma impotência esmagadora que nos desanima e a ideia de paz no Oriente Médio parece ser inatingível. Mas não podemos nos acomodar e colocar nossas questões rasas e banais na frente dos reais problemas. Sejamos menos egoístas. Nós não podemos nos acostumar com tanta barbárie.


Desde março de 2011 a população do país vive em meio à guerra. As motivações são complexas e difíceis de se definir, já que forças internacionais tomaram partido. Umas em nome da vida, outras por diversos motivos: Irã sem comentários, tá a favor do ditador pelo enfraquecimento de Israel e lá no início, 2001, impedir a ânsia por poder do Iraque comandado por Saddam Hussein, morto em 2013 condenado no próprio país; Rússia a favor pela luta contra o terrorismo e também para conter a influência americana no Oriente Médio; Arábia Saudita contra, em nome de um regime mais amigável aos sauditas – desde a guerra do Iraque, em 2003, a Arábia Saudita, sunita, vem se preocupando com a crescente influência do Irã, xiita, na região; Turquia contra porque por território turco passam combatentes e armas – destinados muitas vezes a grupos jihadistas, incluindo o EI; Israel contra pela amizade com o Irã, e teme que a milícia libanesa Hisbolá ataque o país a partir da fronteira com a Síria; Alemanha contra também pela parceria com o Irã e por apoiarem o reconhecimento aéreo de posições do EI; Inglaterra contra porque quer dar um basta na ameaça mundial de terrorismo e França contra e forneceu equipamentos médicos aos rebeldes (opositores do governo do ditador). No final de setembro de 2015, deu início a ataques aéreos contra o EI, expandindo-os após os atentados terroristas de Paris, em novembro de 2015.

Forças leais ao presidente ditador, rebeldes, extremistas muçulmanos e potências estrangeiras fazem parte de uma situação complicada de se resolver.

Número 1: Em 2001, quando começou, muitos sírios se queixavam de um alto nível de desemprego, corrupção em larga escala, falta de liberdade política e repressão pelo governo de Bashar al-Assad, que havia sucedido seu pai, Hafez, em 2000. O governo foi extremamente repressivo com os protestos, prendendo, torturando e até abrindo fogo contrao os manifestantes. Estes são os ditos "rebeldes".

Mas Assad pôde estar tranquilo só no primeiro momento: a oposição, morrendo a cada manifestação, se armou e declarou guerra ao governo. Passou a realizar atentados contra altas figuras do regime, como o de 18 de julho de 2012 quando morreram o ministro da Defesa, o dirigente dos serviços de informações militares, um general que era cunhado de Assad e outras chefias, numa reunião em Damasco, ou desencadeava ofensivas para controlar importantes cidades, como Aleppo, Homs e Maarat al-Numan.

Número 2: Em 2015, o Daesh (o grupo religioso extremista terrorista Estado Islâmico, como ficou conhecido) dominou METADE do território da Síria após ocupar uma primeira cidade, Palmira, onde enfrentou e massacrou uma tribo de rebeldes. A derrubada do grupo foi prioridade dos EUA no governo de Trump, que para isso, lá atrás, antes desse horror de semana passada contra o próprio povo, se aliou à Síria. Desde 2016, o EI tem perdido território e poder na Síria (de metade do país, hoje ainda domina apenas 1 cidade) devido a diversas ações do governo de Assad e aliados à época. Se o objetivo das nações era combater o terrorismo, o objetivo do governo ditador, que obtinha a ajuda, era eliminar outros! A região vem sendo atacada pelo próprio governo sírio (pasme) e seus aliados, entre eles, a Rússia e o Irã. O objetivo é a retirada das forças rebeldes que dominam Ghouta desde 2012. A população também sofre com a fome: o pão lá, o básico do básico, é 22 vezes mais caro que a média do resto do país, mais uma arma da Síria para enfraquecer rebeldes.


A posição dos EUA é instável durante a guerra. Após ter se aliado à Síria para derrotar o EI, os norte-americanos se voltaram contra o país após suspeitas de que os sírios estariam utilizando armas químicas, um apoio mal visto no contexto mundial de terrorismo, principalmente para um país do Conselho de Segurança da ONU.

Além do absurdo das armas químicas, o que causou mobilização mundial foi o cerco militar de 2016: um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) disse que um único biscoito é vendido a US$ 13 e um quilo de leite em pó para bebês (sem nutrição as mães não produzem mais leite, logo não havia maneira de alimentar os recém-nascidos e os bebês) custa US$ 313; uma caixa de leite US$ 100 e um quilo de arroz US$ 150! Apesar de duas entregas de suprimentos de ajuda humanitária na cidade sitiada, para às 42.000 pessoas que viveram sob um bloqueio que durou meses, pois não havia alimentos básicos, nem medicamentos básicos, nem eletricidade e nem água, "muitos habitantes comiam plantas para sobreviver ou precisavam pagar quantias elevadas nos postos governamentais para obter comida", contou o diretor do Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH). "Um morador inclusive colocou à venda seu carro pelo preço de 10 quilos de arroz. Não conseguiu vendê-lo e um familiar seu morreu por falta de comida", contou uma mulher de 32 anos para a porta-voz do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV).


Sobre hoje, ninguém bombardeou nenhum país. USA, França e Inglaterra se uniram e bombardearam as bases químicas. Foi uma ação estratégica em resposta a esse ditador que ao meu ver, tinha que ser capturado e morto.

O Pentágono anunciou que três alvos foram atingidos na Síria: um centro de pesquisa e produção de armas químicas e biológicas em Damasco, um armazém de armas químicas em que os EUA acreditam estavam que estoques de gás sarin, e outra instalação vizinha.

O Ministro da Defesa do Reino Unido diz que mísseis foram usados contra um depósito onde teria sido constatado que o governo sírio faria manutenção de armas químicas. Ele disse ainda que o local atingido fica distante de qualquer ponto habitado.

Segundo a Reuters, o Observatório Sírio para Direitos Humanos (OSDH) afirmou que um centro de pesquisa científica e bases militares em Damasco foram atingidos por ataques aéreos. Entre os alvos estão a Guarda Republicana e a 4ª Divisão, unidades de elite do exército sírio.

Assim como a Unicef, o fundo das Nações Unidas para a infância, emitiu um comunicado em branco após as 48 horas mortais em fevereiro deste ano em Ghouta, dizendo apenas que nenhuma palavra faria justiça às vítimas, queria fazer neste post. Mas mobilizar é preciso. As pessoas precisam mais que saber, entender o que está acontecendo com nossos irmãos, seres humanos como nós, do outro lado do planeta em que vivemos. E que haja um envolvimento mais direto entre EUA, Turquia e Arábia Saudita para infletir a situação. 
Tecnologia do Blogger.